CRISTO NA UTI – PE. LAMBERT NOBEN – MO

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CRISTO NA UTI – PE. LAMBERT NOBEN – MO

saude_monitor_f.vitoria_barretoUns tempos atrás passei uns dias na UTI. Lugar horrível, embora tudo bem limpinho e arrumado; aparelhos acoplados ao corpo da gente, lugar meio escuro, sem janela, e uma solidão terrível, o tempo passava tão devagar, parecia estar parado. A gente esperava ansioso o horário de visita diária. Durante meia hora, alguma pessoa bondosa vinha fazer visita à gente e depois ia embora. E a gente sentia uma tristeza porque aquela pessoa voltava a sua vida normal, real, a sua família, ao seu trabalho, a sua comunidade e a gente ficava lá, sozinho abandonado neste mundo artificial, frio, mecânico. Eu sentia até uma pontinha de ciúme daquela visita que ia onde queria, enquanto eu devia ficar ali, sozinho, esperar o tempo passar. Pode parecer estranho mas um dia, não sei por que, pensei no Cristo, no sacrário. Ele que gostava tanto de conviver com as pessoas, se misturar às multidões de pobres, O fecharam também num sacrário. Ele deve ter pensado: eu os convidei a um jantar, a uma festa, a uma refeição, eu me fez refeição para que eu podia morar no coração deles e assim podia participar da sua vida, ir com eles para sua casa, para sua vida familiar, para seu trabalho, seu lazer, sua comunidade, enfim para todo lugar onde eles mesmos iriam, unindo assim a fé à sua vida real e diária.

Eu queria estar no seu dia a dia, na sua lida diária, aumentando assim sua capacidade de amar e lutar, mostrando o caminho a seguir e eles me plantaram aqui num sacrário, bonito por certo, dourado por dentro e por fora, e foram se embora sem mim, sem minha presença real em sua coração. É verdade que alguns vem ai me visitar, até alguns diariamente, como alguém visita um doente na UTI, sentem meia hora e vão se embora, sem mim, sem me levar. Até fizeram de mim uma coisa, um objeto “o Santíssimo” como se eu não fosse uma pessoa que tem um coração para amar. Mas eu não quero ficar morando num cofrinho, por bonito que seja, eu quero morar no seu coração para assim estar presente em toda sua vida, eu quero andar com você como eu andava com meu discípulos, eu quero explicar para você o sentido dos acontecimentos a luz da Bíblia como eu fez com os discípulos de Emaús.

A missa, como vocês a chamam, tem um sentido celebratívo, comunitária, não é um momento de devoção individual ou de penitencia, mas é um encontro de meu povo, de minha família, onde todos celebram juntos, rezam e cantam juntos e unidos, onde alimentam sua fé e se unam pelo laço mais forte que possa existir que é a minha presença real e viva em cada um e em todos, para que depois, fortificados e animados, cada um e todos podem voltar para sua casa, para sua vida diária, me levando em seu coração, e assim cumprir sua missão; construir o Reino de Deus no mundo de hoje.

Texto Escrito pelo Pe. Lambert Noben MO – Padres do Trabalho lambertnoben@gmail.com