DIA DO TRABALHADOR (DESEMPREGADO) – Pe. Lambert Noben

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DIA DO TRABALHADOR (DESEMPREGADO) – Pe. Lambert Noben

CTPS-1080x627Dia primeiro de maio celebramos tradicionalmente o dia do trabalhador. Mas não temos muito para celebrar. Desemprego, reforma trabalhista desastrosa, muitas conquistas dos trabalhadores, frutos de um século de lutas, greves, conquistas foram água abaixo. O sindicalismo no Brasil já começou errado porque veio de cimo pra baixo. Implantado por decreto presidencial, não foi uma conquista dos trabalhadores. Enquanto na Europa os sindicatos eram confessionais, liberal, socialista ou cristão, aqui eram por categoria, professoras, bancários, metalúrgicos de modo que se uma categoria lutava por seus direitos, a outra continuava indiferente. O pior era a contribuição obrigatória; cada trabalhador era obrigado a contribuir com um dia de trabalho e como o sindicato recebia esta contribuição de mãos beijados sem fazer nada, eles muitas vezes eram pelegas pensando em favores e vantagens pessoais dos agentes, em vez de lutar pela sua categoria e pelos trabalhadores. Eles não precisavam cativar e conquistar seus adeptos por serviços prestados, sua renda era garantida por contribuições obrigatórias. Quando a reforma trabalhista queria abolir esta contribuição obrigatória os sindicatos começar a chiar porque terão que ir à luta e fazer algo pelos trabalhadores para conseguir membros. Outro fenômeno e a automatização; mais robôs, mais computadores, e menos trabalhadores que a empresa precisa; robôs não fazem greve, não pedem aumento salarial, não engravidam, trabalham dia e noite sem descanso semanal, de modo que se precisa cada vez menos trabalhadores-gente, operários, a empresa faz mais serviço, mais lucro com menos despesa, só que este lucro não é socializado, não é redistribuído na sociedade porque o governo é fraco, precisa dos capitalistas para se reeleger. E por isso não se preocupa com os desempregados que não tem onde cair morto. Miliares de trabalhadores que fizeram as empresas, que fabricaram os robôs hoje são vítimas de seu trabalho, criaram seus substitutos e hoje são vítimas de seu próprio trabalho, não são mais necessários, são descartáveis e descartados.

No Evangelho existe uma parábola de trabalhadores da vinha; aqueles que foram contratados não última hora, não por culpa deles, mas por que, até então, ninguém os contratou, receberam o mesmo salário do que aqueles que trabalharam o dia todo. Quando estes reclamaram, o patrão mostrou que não é o trabalho prestado que determina o valor do salário e sim a necessidade do trabalhador. A constituição brasileira fala que o salário deve permitir ao trabalhador e sua família a alimentar se, morar, estudar, ter saúde, lazer e ainda fazer uma poupança. Infelizmente nunca vi um juiz, defensor e guardião da constituição, defender este direito constitucional do trabalhador, eles prefiram fazer politicagem e perseguir quem está ao lado do trabalhador e do pobre desempregado. Por quê a riqueza tem que se amontoar cada vez mais na mão de cada vez menos pessoas? A terra e tudo o que ela contém foi dado por Deus a toda a humanidade e não apenas a alguns e o governo deve cuidar não da riqueza dos capitalistas, mas da redistribuição dos bens a todos os habitantes, ninguém precisa de fortunas dos paraísos fiscais, mas todo mundo precisa poder viver com dignidade e decência.

Texto Escrito pelo Pe. Lambert Noben MO – Padres do Trabalho lambertnoben@gmail.com