Todo Julgamento é justo? – PE. LAMBERT NOBEN MO

Menu

Todo Julgamento é justo? – PE. LAMBERT NOBEN MO

justica-decreta-prisao-de-suspeito-de-matar-delegado-no-rioExiste uma grande diferença entre justiça e julgamento. Justiça sempre é justa, senão não seria justiça. Mas o exercício da justiça (que chamamos julgamento), embora nos proibiram julgar este exercício de justiça, sabemos que o julgamento raramente é justo porque é exercido por pessoas humanas, que tem suas limitações, seus preconceitos, seus interesses, suas opiniões. Nenhuma pessoa é “quimicamente pura”.

Nos julgamos pelas aparências, a partir de nosso ponto de vista, sem conhecer toda a realidade. Dependendo do partido político que aderimos, da classe social que pertencemos, da religião que professamos, dos valores morais que defendemos ou rejeitamos, vamos ter um julgamento diferente. Não é à toa que Jesus nos proíbe julgar. Ele diz que com a mesma medida que medimos seremos medidos. Muitos juízes se acham deuses, omnipotentes e infalíveis e por este motivo não aceitam contradição nem crítica.

No antigo Testamento Nabot foi condenado a morte por um falso julgamento, a casta Suzana foi condenada a morte por dois velhos safados e Jesus ele mesmo foi condenado a morte por um falso julgamento. A história está cheia de julgamentos iníquos e injustos. A própria Igreja condenou e queimou vivo como hereges e como bruxas muitas pessoas que tinham razão e eram inocentes ou que tinham razão como Galileu. Ninguém é infalível; o que seria de um velho papa que se enganou quando se proclamou infalível? Só Deus é infalível porque Ele conhece nosso coração e toda nossa vida e Ele não nos julga nem condena porque Ele é amor e misericórdia.

O que a maioria das pessoas confessam no confessionário é ter julgado e ter condenado os outros. Desde que enxergamos alguém já julgamos e muitas vezes nosso julgamento é cruel e quase sempre injusto, baseado em preconceitos e impressões.  Aqueles que pretendem defender a justiça precisariam em primeiro lugar praticar a imparcialidade; a grande piada atualmente é dizer que todo mundo é igual perante a lei; se nós temos foro privilegiada, se temos leis diferentes para pobre e para rico, não existe justiça. Deveriam tratar todos do mesmo jeito e aplicar a mesma lei para todos.

Pessoas que ocupam um cargo superior ou que tem formação superior ate são mais responsáveis e mais culpados porque mais conscientes em comparação com um pobre analfabeto que nunca teve oportunidade de instruir se ou formar se e não tem como defender se não podendo pagar um advogado famoso. Não adianta ter leis bonitas, ter uma das constituições mais ricas e justas se ela não é aplicada e cada um acha um jeito de contorna lá em proveito próprio.

Como diz nosso povo; para meus amigos tudo, para meus inimigos os rigores de lei. Neste ano em que a Campanha de Fraternidade nos fala da violência, vamos deixar de usar a lei para fazer mais violência contra nossos irmãos e irmãs.

Texto Escrito pelo Pe. Lambert Noben MO – Padres do Trabalho lambertnoben@gmail.com