Obra de Lucas – Tema 18 – O Reino Vai Triunfar

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Obra de Lucas – Tema 18 – O Reino Vai Triunfar

Em pleno desenvolvimento da atividade de Jesus na Galiléia, ficamos como João Batista, perguntando: Será que o Reino que produz nova sociedade e nova história vai dar certo? Jesus enfrenta muitas dificuldades e, depois dele, também os que o seguem. Qual será o fim de tudo? A resposta vem na parábola do semeador (8,4-8), que só as pessoas comprometidas com Jesus podem entender (8,9-10). É claro que haverá muitas dificuldades, até mesmo na comunidade cristã (8,11-15). Contudo, os verdadeiros seguidores de Jesus continuarão a palavra e a ação dele (8,16-18) e é da sua prática que o Reino virá, criando relações fundadas na justiça e na misericórdia (8,19-21).

Mulheres-discípulas de Jesus (8,1-3)

Essa breve notícia é importante em Lucas, pois ele quer mostrar que o cristianismo rompeu com a prática do judaísmo, que afastava as mulheres dos assuntos religiosas, e também justificar o ministério das mulheres dos assuntos religiosos, e também justificar o ministério das mulheres na igreja Primitiva (ver Romanos 16,1.3.6.12-13; 1 Coríntios 16,19).Seguindo a sua prática libertadora, Jesus as liberta dos “espíritos maus e doenças”, elas se tornam suas discípulas. Quais seriam esses “espíritos maus e doenças” que afastariam as mulheres do seguimento de Jesus e da liberdade e vida que Deus quer para todos?

O Reino vai triunfar (8,4-8)

No auge da atividade na Galiléia encontramos a parábola do semeador, que Lucas procura adaptar para os seus leitores pagãos. A ênfase está no final: apesar de todas as contrariedades e obstáculos, o semeador tem uma colheita além da melhor das expectativas.O mesmo acontecerá com o Reino anunciado por Jesus: apesar de todas as dificuldades, ele se implantará par além do que se espera. Os pobres não serão fraudados, porque o Reino, que já lhes pertence (6,20), transformará a sociedade e a história, realizando a vontade de Deus em resposta à súplica dos pobres.

Só quem se compromete entende (8,9-10)

Naquele tempo era costume os mestres explicarem o sentido das parábolas para os discípulos. O mesmo devia acontecer com Jesus. Os discípulos perguntam o sentido da parábola do semeador, mas a resposta de Jesus é mais ampla, pois “os mistérios do Reino de Deus” envolvem toda a palavra e a ação de Jesus. Os discípulos podem entender porque estão comprometidos com Jesus e o seguem. Compreender o que? Que o Reino de Deus já está presente em Jesus e em sua atividade. E os outros? Os ouros ficam “por fora”, e vêem tudo apenas como uma “estória” da qual desconhecem o significado.

Até a comunidade tem dificuldade (8,11-15)

A explicação da parábola é, na verdade, uma adaptação alegórica feita pela comunidade cristã, que a transpôs para a sua situação. Antes a parábola queria dizer que Jesus teria sucesso e o Reino se implantaria. Agora o texto faz uma análise da reação das pessoas à Palavra do evangelho (= semente). Cada tipo de ouvinte é um tipo de terreno que reage de forma diferente, e a explicação se torna um convite para a comunidade examine profundamente até que ponto ela se deixou converter pelo o evangelho.
O que pode atrapalhar a comunidade? O diabo com as suas tentações (4,1-13), as dificuldades que minam a boa vontade, além das preocupações, dos cuidados com a riqueza e os prazeres. Enfim, um compromisso que fica reduzido pela metade, e que acaba falsificando completamente a adesão ao evangelho. Segue-se o evangelho na medida em que os outros compromissos o permitem, como se fosse possível andar com os pés em duas canoas… tudo perdido? Não. O fim é encorajador: há os que ouvem “ de coração bom e generoso, conservam a Palavra e dão fruto na perseverança”(8,15). São os verdadeiros convertidos que, apesar de tudo, continuam a obra de Jesus. È através deles que o Reino vai se tornando presente, transformando a realidade.

Não segurar o Evangelho (8,16-18)

Estas sentenças aparecem em outros lugares (ver 11,33;12,12;19,26), mostrando que são ditos separados que Lucas agrupou aqui .o que ele queria dizer? Certamente que ele se dirige aos discípulos como ouvintes do evangelho. Não basta ouvir e guardar. È preciso espalhar o anúncio, pois o ensinamento de Jesus não é uma doutrina esotérica que deva ser cuidadosamente guardada ou confiada a poucos. Pelo contrário, é palavra que liberta, e não pode ser calada ou abafada,. O discípulo compreende o mistério do Reino (8,10), mas, se não o anuncia, corre o risco de perder inclusive a compreensão que pensava ter.

Não basta ouvir! (8,19-21)

É a conclusão que o evangelista dá para o ensinamento de Jesus em parábolas. Do modo como o texto foi construído, tudo gira em torno de 8,21: “ Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a Palavra de Deus, e a põem em prática”. É o mesmo tipo de conclusão que encontramos no fim do “sermão da planície” (6,46-49), mostrando uma das preocupações fundamentais deste evangelista.
Isso equivale a dizer que a nova humanidade é aquela que, liberta e cheia de vida, ouve e pratica o evangelho, que é a Palavra de Deus revelada por Jesus. Essa tarefa é ainda mais importante do que os próprio laços familiares, porque é dela que surge o mundo novo, cheio de liberdade e vida para todos. O texto em si pode nos chocar, pois sempre encaramos nossa família e as nossas relações mais próximas como o tudo da nossa vida. Contudo, o evangelho faz descortinar um panorama muito mais amplo, quebrando todas as fronteiras com que procuramos isolar e proteger as nossas relações. No fundo, o que o evangelho pede é sempre um ponto de partida, sem nunca delimitar a meta chegada. O que faz a vida é o seu dinamismo em ato, a cada momento respondendo às situações no sentido de uma transformação para mais liberdade e vida.

Curso Bíblico – Paróquia de Santa Cruz.

Segunda-Feira 20:00hs