Obra de Lucas – Tema 19 – Jesus Restaura a Vida de Todos.

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Obra de Lucas – Tema 19 – Jesus Restaura a Vida de Todos.

Após a exortação a pôr em prática a palavra do Evangelho, Lucas mostra concretamente do que é capaz essa prática. Não que a Palavra de Jesus nos Evangelhos seja mágica. É que ela faz compreender a vontade de Deus e também descobrir e que a vontade de Deus é o impulso maior que brota de dentro de nós mesmos,em nossas mais profundas aspirações. No fundo, a Palavra de Deus é a articulação compreensível do maior impulso para a liberdade e a vida, que não têm limites.
E a Palavra deve ir a todos, em todos os lugares (8,22-25) para libertar os que estão alienados e vivem como mortos (8,26-39), e também aqueles que têm a vida diminuída ou ceifada antes do tempo (8,40-56).

ATRAVESSAR PARA OS OUTROS (8,22-25)

A travessia do lago de Genesaré ou mar da Galiléia levava para a terra dos pagãos, no caso Gerasa (8,26). É um sinal de que o evangelho deve ser dirigido também para os pagãos. Mas, que dificuldade isso era para os discípulos, e para nós também. Todos nós costumamos ficar em paz e acomodados dentro de nossas fronteiras conhecidas, porque tememos tudo aquilo que se apresenta como desconhecido.
A tempestade é uma figura da resistência dos discípulos em ir até os outros. O mar bravio é também uma figura das nações estrangeiras que ameaçam o povo de Deus (Salmo 65,8). Jesus, porém, é o Senhor da história e das nações. Com sua Palavra ele domina tudo, como fazia com os demônios (4,35).
E aqui fica em aberto a questão para a comunidade: ela confia em Jesus nela presente, mesmo que este pareça estar dormindo? Se não confia, onde estão a sua fé e a sua confiança? Talvez paralisadas pela dúvida e descrença, quem sabe pretensiosamente imaginando que o Reino se realiza unicamente pelas capacidades humanas?

PARA DESALIENÁ-LOS (8,26-39)

Assim como uma expulsão do demônio marcara o início da ação de Jesus no meio do seu povo (4,31-37), o mesmo acontece em terras pagãs. Jesus encontra um super endemoninhado, possuído por uma “Legião”nome que se dava a um destacamento romano com cerca de 6..000 soldados. Aliás,a dominação romana era o principal demônio em toda a região. Também o porco era considerado animal sagrado e um dos símbolos do poder romano. Assim, a ruína dos porcos simboliza também a libertação do jugo da escravidão ao poder de Roma.
O endemoninhado vivia uma vida sub-humana, reduzindo praticamente a um bicho : nu, acorrentado e algemado, morando em lugares desertos e cemitérios. Uma figura do povo completamente alienado de si mesmo, vivendo como um morto evitado por todos. Mas o curioso é que os demônios, com sempre, sabem que Jesus é o Messias enviado por Deus (ver 4,3.34.41). Por que? Porque eles sabem muito bem que Jesus é o mais forte e pode derrota-los. O mal sempre está de sobreaviso, pois a verdade e a justiça são ameaça permanente ao seu poder, sempre alicerçado na mentira e na injustiça.
Segue-se a negociação: sair do homem e entrar nos porcos. Devia ser manada grande, ao menos de 6.000 (= legião). E o ato termina em total auto-aniquilação, porque o mal contém em si o germe da própria destruição. Mas o curioso é a reação das pessoas. Os guardadores de porcos saem correndo espalham a notícia. Todos vêm para ver o que aconteceu. Certamente se espantam. Com o que? Com a libertação do homem ou com a perda de 6.000 porcos? Parece que a segunda hipótese é a mais provável, já que eles pedem que Jesus vá embora dali. Não querem perder mais porcos… E assim chegamos à dura verdade: as pessoas costumam valorizar mais os bens materiais do que a vida humana livre e consciente. Não é o que em geral acontece entre nós?
Quanto ao homem liberto, ele quer ficar com Jesus. Mas Jesus mostra que a sua missão é anunciar, contando a todos o que fora feito por ele. Torna-se, portanto, um evangelizador, cuja principal função é anunciar a força libertadora que emana de Jesus e do evangelho.

E devolve-lo à vida (8,40-56)

Jesus volta para o meio do seu povo, e depara com um duplo caso de ameaça à vida: a mulher com hemorragia há 12 anos; a menina de 12 anos à beira da morte. O fato de Jairo ser o chefe da sinagoga judaica parece indicar o pedido do judaísmo ao cristianismo :libertação e vida.
Jesus está apertado pela a multidão, mas sente que foi tocado pela fé de alguém que deseja a vida. A mulher certamente se escondia porque, segundo a Lei, o seu problema de saúde a deixava impura e também as pessoas que ela tocasse (Levítico 15,25). Mas a cura é testemunhada diante de todos: “Minha filha, sua fé curou você. Vá em paz” (8,48).Aqui está a chave do milagre: é a fé e a confiança no poder de Jesus que ocasionam a cura.
E é fé e confiança que Jesus pede a Jairo, quando chegam com a notícia de que a menina já morreu : “Tenha fé, e ela será salva” (8,50). Dois outros pormenores fazem pensar que estamos aqui diante da fé na ressurreição: Pedro, João e Tiago são também as testemunhas da glória de Jesus (9,28), e a visão da morte como sono do qual se desperta pela ressurreição é comum na Igreja Primitiva (Efésios 5,14).
As duas curas têm a ver com a libertação para a vida. A mulher doente estava presa a um problema que a marginalizava do convívio social. A menina morrera prematuramente. E aqui é o caso de perguntar: quais os fatores que prendem a mulher e a marginalizam, escravizando-a à solidão e à doença? Quais os fatores que tão cedo acabam por comprometer a vida, a ponto de acarretar a morte de tantas crianças, às vezes antes do primeiro aniversário? A fé na ressurreição não deve ser dirigida apenas para o fim de uma longa vida, quando a morte é um processo natural. A fé deve atacar as causas que provocam a diminuição da vida e a morte prematura. Porque Deus não quer que ninguém viva morto, nem que morra antes do tempo.

Curso Bíblico – Paróquia Santa Cruz.

Segunda-Feira 20:00hs.