Obra de Lucas – Tema 21 – O Messias de Deus

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Obra de Lucas – Tema 21 – O Messias de Deus

O povo já havia reconhecido em Jesus o “grande profeta”(7,16). Agora, no fim da atividade de Jesus na Galiléia, os discípulos concluem, a partir da palavra e da ação de Jesus, que ele é “o Messias de Deus” (9,20). É o grande selo que confirma toda a obra de Jesus, dirigida para o sacrifício e a glória. Restam, porém, várias dificuldades para os discípulos poderem segui-lo: a falta de fé, a incompreensão, o espírito de competição e a intolerância.

O Messias de Deus (9,18-21)

A pergunta de Jesus é uma espécie de balanço de toda a sua atividade. O povo continua pensando como antes (7,16; 9,8), pois ainda está preso à idéia de um Messias guerreiro e triunfalista. Os discípulos, que acompanharam Jesus e viram de perto todas suas atividades, dão um passo à frente, reconhecendo, através de Pedro, que ele é “o Messias de Deus” (9,20). Bem entendido, isso transparece em toda a obra de Jesus na Galiléia, cumprindo o programa anunciado em 4,14-21: é a pratica de Jesus que o revela como o Messias, o Rei ungido por Deus para trazer a era da Justiça e de Paz (ver Isaías 11,1-9).
Não basta, porém, reconhecer que Jesus é o Messias. Ele é p Messias que vai realizar a sua missão como o Servo Sofredor de Isaías 52,13-53,12. Toda a sua atividade, voltada pra o povo e principalmente para os marginalizados, provocará o sistema injusto e seus mantenedores (anciãos, chefes dos sacerdotes e doutores da Lei), e estes o matarão. Mas Ele ressuscitará, continuando o seu projeto através dos seus seguidores.

O seguimento de Jesus (9,22-27)

As condições para seguir Jesus são três: renunciar a si mesmo, isto é, deixar os próprios interesses para colocar o projeto de Jesus em primeiro lugar; tomar a cada dia a sua cruz, ou seja, enfrentar continuamente a oposição, perseguição e marginalização, e seguir a Jesus, continuando a sua palavra e ação. Assim o discípulo se tornará digno de Jesus, e ganhará a verdadeira vida, que consiste em participar de todo o caminho de Jesus, até a glória. O grande desafio será sempre o de escolher entre o projeto e a glória de Jesus e os projetos e a glória do mundo (rever 4,1-13). O versículo 27 alude à chegada do Reino, que acontecerá com a morte e a ressurreição de Jesus, a glória prenunciada pela transfiguração.

O novo êxodo (9,28-36)

A transfiguração visa mostrar que a paixão e a morte fazem parte do projeto de Jesus, mas que este levará à glória. Este é novo êxodo, o caminho da libertação que terminará no Pai (23,46). Moisés e Elias personificam a Lei e os Profetas, isto é, todo o Antigo Testamento, cujas promessas se realizam através da palavra e da ação de Jesus, o verdadeiro interprete da vontade do Pai contida nas Escrituras. A proposta de Pedro é uma tentativa de prolongar o momento; na verdade, talvez com a secreta vontade de entrar na glória antes de passar pelo sofrimento e pela morte.
O centro da passagem é a voz que vem da nuvem, declarando Jesus como o Filho de Deus, com a ordem: “Escutem o que ele diz”. Em outras palavras, Jesus não é apenas o Profeta, o Messias e o sentido das Escrituras. Ele é a revelação máxima de Deus e do seu projeto, e é ele que os seus seguidores devem escutar, ou seja, ouvir e obedecer.

Falta de Fé (9,37-43)

Apesar de terem entrado na nuvem (9,34), isto é, de terem participado na revelação de Jesus, os discípulos continuam fechados. No caso do menino epilético, eles não conseguem realizar a cura porque não têm fé. Também o pai do menino é criticado pela sua falta de confiança. A exclamação de Jesus mostra claramente o seu desapontamento, pois a hora trágica se aproxima, e os discípulos ainda estão longe de compreender a natureza da sua missão, que é libertar as pessoas de suas alienações e devolvê-las à plena consciência.

Incompreensão (9,43-45)

É o segundo anúncio da morte de Jesus. Os discípulos poderiam ficar impressionados com a admiração do povo, e por isso Jesus os adverte sobre o seu trágico fim. Contudo, parece que os discípulos estão completamente fechados na incompreensão. Na visão de Lucas, somente o ressucitado poderá iluminar a mente deles (24,25-27.44-46). Contudo, os dois últimos episódios mostram o que pode estar impedindo a sua compreensão.

Espírito de competição (9,46-48)

Enquanto Jesus se prepara para a morte no caminho do serviço, os discípulos estão preocupados em saber quem é o maior. Isso denota a idéia errada de que Jesus seja um Messias-Rei dominador, e a de que eles de algum modo irão participar de um poder que domina. E, na luta pelo poder, vem a competição pela supremacia: quem é que manda mais? Jesus realiza uma parábola viva. A criança é o símbolo da despretensão, da fraqueza e da dependência. Na época, a criança não tinha qualquer valor na sociedade, assim como os escravos. E a lição acaba com qualquer pretensão: o menor é o maior, e quem recebe o menor recebe a Jesus e ao Pai que o enviou.

Intolerância

O episódio final aponta para outro perigo, que pode bem se manifestar em nossas comunidades. Alguém está realizando uma atividade positiva (desalienando as pessoas) em nome de Jesus, mas não pertence à comunidade. Os discípulos reclama,, porque imaginam serem os únicos possuidores da verdade e os únicos legitimados para continuar a obra de Jesus. A resposta de Jesus, porém, acaba com qualquer espírito de “panela fechada”, porque o verdadeiro seguimento não está em usar um rótulo ou pertencer a uma determinada instituição, e sim em continuar a prática de Jesus, para que todos tenham liberdade e vida. Este é o verdadeiro ecumenismo.

Curso Bíblico – Paróquia de Santa Cruz

Segunda-Feira 20:00hs