Questão Social : O Trabalho

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Questão Social : O Trabalho

trabalho-social-voluntarioO trabalho é fonte de dignidade e de felicidade, pois possibilita às pessoas o acesso aos bens materiais e espirituais que o humanizam. Mas nem sempre e nem todos vêem o trabalho dessa forma. Baseado no próprio pensamento da Bíblia: “Você comerá o pão com o suor do seu rosto”(Gn 3,19), o trabalho é visto por muitos como um castigo. Mas quando afirmamos que temos que ganhar o pão de cada dia, entramos numa outra dimensão do trabalho, visto agora como gratuidade e fonte de espiritualidade.

JESUS E O TRABALHO HUMANO.
Em Maria, Deus se fez homem e, na oficina de José, Deus se fez classe trabalhadora. Jesus é conhecido pelos seus conterrâneos como um carpinteiro, um operário, um trabalhador.
Jesus mesmo descreve a sua missão como um trabalhador: “Meu Pai trabalha até agora e eu também trabalho”(Jo 5,17). Aos seus discípulos Jesus chama de operários da messe do Senhor, que é a humanidade a evangelizar.
Jesus trabalhou incansavelmente, realizando grandes obras para libertar as pessoas. Mas Jesus nos ensina a não nos deixar escravizar pelo trabalho. Preocupadas e agitadas por muitas coisas, as pessoas correm o risco de se esquecerem  do Reino de Deus e de sua justiça. Preocupam-se em ganhar o mundo inteiro e acabam perdendo a própria vida. O trabalho é essencial, mas é Deus, não o trabalho, a fonte da vida. Libertar-se do mal, praticar a fraternidade e a partilha é conferir ao trabalho  o seu significa maior, aquele que permite à humanidade encaminhar para o Sábado Eterno, no qual o repouso se torna a festa.
quando se faz a experiência do trabalho como gratuidade da vida e do relacionamento prazeroso, realiza-se na terra o sonho de Deus que foi criar o Jardim do Éden. O trabalho inaugura sobre a terra a nova criação.

O DIREITO DO TRABALHO.
O trabalho é um direito e faz bem para o ser humano. A tarefa ensina que o trabalho é necessário para formar e manter uma família, para ter como adquirir moradia, para contribuir com o bem comum da família humana e deve estar disponível para todos aqueles que são capazes de trabalhar. Mas quem é desempregado ou sub-desempregado sofre as conseqüências negativas de tais condições e corre o risco de ser posto à margem da sociedade. Este drama atinge mulheres, jovens, deficientes, imigrantes, ex-carcerários, analfabetos e todos os que encontram dificuldades na busca de uma colocação no mundo do trabalho. Os problemas do emprego deveriam chamar a atenção do Estado, ao qual compete promover políticas ativas do trabalho e a criação de oportunidades de preparo para o direito do qual dependem diretamente a promoção da justiça social e da paz civil. A vida familiar é uma vocação humana e o trabalho assegura os meios de sobrevivência e garante o processo educativo dos filhos. Mas a dupla jornada de trabalho, as fadigas físicas e psicológicas reduzem o tempo dedicado à vida familiar. O desemprego tem repercussões materiais e espirituais sobre as famílias. A presença da mulher no mundo do trabalho exige que a sua participação seja de tal modo que ela não se veja obrigada a pagar a própria promoção, com o ter de abandonar as suas tarefas naturais de mãe, dons de casa e mulher.  Também merecem atenção especial o trabalho infantil, a exploração do emigrante e o mundo agrícola.

A SOLIDARIEDADE NO TRABALHO.
A pessoa humana dignifica o trabalho. Através dele, cada um pode crescer. Pelo trabalho domina-se e transforma-se a natureza para que possa contribuir para a felicidade de todos, construindo a sociedade, a convivência, a solidariedade. A história torna-se obra de mulheres e homens. Pelo capitalismo o trabalho foi transformado em mercadoria. Tornou-se em instrumento de produção. Assim surgiu o conflito entre o mundo do capital e o mundo do trabalho. Este conflito  se alimenta de desejo dos empresários para conseguir maior lucro possível, procurando manter os salários  mais baixos e falta de condições de vida para os operários. O evangelho nos chama à solidariedade e a reconstruir juntos a dignidade do trabalho pela solidariedade  entre os trabalhadores e também para transformar as relações de trabalho, acabando com a exploração. Foi a condição dos operários que originou o que se chama a “Doutrina Social da Igreja”.  A igreja anu7ncia as verdades acerca da dignidade do homem e seus direitos e a denúncia das situações injustas e a contribuição para as mudanças da sociedade.

A DIGNIDADE DO TRABALHO.
É digno o trabalho que dá ao trabalhador condições de uma vida feliz. Condições de moradia, alimentação, saúde, educação e lazer.  “O trabalho é para o homem e não o homem para o trabalho”. Quando invertemos estes valores e pensamos que o homem existe para realizar o trabalho e não o trabalho para realizar o homem, fazemos do homem uma ferramenta que se usa, e do seu trabalho uma mercadoria que se compra. Desta maneira, não existindo dignidade da pessoa que trabalho, não existirá dignidade no trabalho que faz. Quando temos um conceito da dignidade do trabalho, podemos avaliar a nossa situação e enumerar as causas de nossas misérias e sofrimentos. ( por exemplo: as favelas, os meninos de rua, as cadeias, a marginalidade, etc.) Com o conceito da dignidade do trabalho, podemos avaliar também os progressos científicos e tecnológicos, e a globalização dos mercados, que expõem os trabalhadores ao risco de serem explorados, na busca sem freios do lucro e da produtividade.

Irmãos, companheiros na luta, vamos dar as mãos, as mãos! Na grande corrente do amor, na feliz comunhão, irmãos. Unindo a peleja e a certeza, vamos construir, aqui, na terra, o projeto de Deus: todo povo a sorrir!” (cfr. Roteiros 304) – Padre Leo Verheyen – verheyen@parsantacruz.org.br